Dom Moacyr
Pentecostes: nova terra de justiça e paz!
Data: 25/05/2010 - 09:35H
Ao celebrarmos a Festa do Espírito Santo, com o tema “Pentecostes: creio na nova terra onde habita a justiça e a paz” (2Pdr3,13) reafirmamos nossa fé na Palavra de Deus que se faz presente em todas as formas de doação e defesa da vida, inclusive no testemunho, na oração e ação, na caridade e justiça. Tudo que sustenta a esperança num mundo em desespero é um desdobramento da Boa Nova.
“A fundação da Igreja na festa de Pentecostes e a gratuidade da salvação ligam ação e anúncio missionário de um modo especial ao Espírito Santo. O Espírito Santo é o pai dos pobres e o protagonista da missão, mas ele também é dom divino. As três formas do agir de Deus são segundo S. Agostinho: criar (a pessoa humana), gerar (Filho de Deus) e doar (Espírito Santo). Na gratuidade se concretiza a resistência contra a lógica hegemônica de custo-benefício (Ef 2,8s). A gratuidade é a condição (da justiça) da não-violência e da paz. A gratuidade aponta para a possibilidade de um mundo para todos” (P.Suess).
Os biblistas C.Mesters e F. Orofino, falando dos "Novos céus e nova terra: vida no campo e na cidade" esclarecem que “na raiz da depredação interesseira da natureza que está esgotando os recursos da Terra, está a busca de uma falsa segurança”. Olhamos a terra como objeto a ser explorado para nos enriquecer, como uma simples mercadoria e não como mãe que nos dá vida e nos sustenta. Esta falsa mentalidade fez crescer em muitos a vontade de explorar os outros, impedindo que eles também tenham acesso aos mesmos bens. Nosso relacionamento com a terra entrou em crise e a sobrevivência da humanidade corre perigo. A Carta da Terra diz: “A escolha é nossa, ou formar uma aliança global para cuidar da Terra e cuidar uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a destruição da diversidade da vida”.
 
Ficha Limpa: “uma nova ordem para Rondônia e para o Brasil”
 
Porque acreditamos numa nova ordem e uma nova terra de justiça e paz para Rondônia e para o Brasil, aderimos à Campanha da FICHA LIMPA, cujo projeto aprovado nesta semana pelo Senado representando uma vitória da população brasileira. As mobilizações em prol da Ficha Limpa tiveram início há cerca de dois anos. Desde esta época, o projeto de lei sofreu algumas modificações consensuais para que pudesse ser aprovado. Hoje, o projeto se apresenta da seguinte maneira: está indeferida, por oito anos, a candidatura de políticos condenados na justiça em decisão colegiada (tomada por juízes ou desembargadores), mesmo que o trâmite do processo ainda não esteja concluído no Poder Judiciário. A inelegibilidade também será garantida a pessoas excluídas do exercício da profissão por classes representativas, como por exemplo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Federal de Medicina. Magistrados e membros do Ministério Público que tenham sofrido aposentadoria compulsória também ficarão inelegíveis. Pessoas físicas e jurídicas que realizarem doações eleitorais ilegais, caso queiram seguir carreira política, também ficam inelegíveis por oito anos. Delegados de polícia ou funcionários públicos demitidos por crimes graves também sofrerão as mesmas penalidades, a não ser que a decisão seja anulada pelo Poder Judiciário (Adital).
 
Comunidade: dom e obra do Espírito Santo (Dap 311)
 
Acreditamos numa nova ordem para a Amazônia: o 12º Intereclesial das CEBs de Porto Velho (21-25/07/09) foi considerado uma experiência significativa para a Igreja da Amazônia e para toda a Igreja do Brasil; um ponto concreto de convergência e fortalecimento das CEBS. Tal sua importância que elas encontraram relevância também na última Assembléia dos Bispos, sendo debatida como tema prioritário, resultando na aprovação da “Mensagem ao Povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base”.
     A Mensagem afirma que as CEBs constituem “em nosso país, uma realidade que expressa um dos traços mais dinâmicos da vida da Igreja” (Doc CNBB 25,1) e continuam sendo um “sinal da vitalidade da Igreja” (RM 51). Os discípulos e as discípulas de Cristo nelas se reúnem para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações mais fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em sua vida e para assumir o compromisso de transformação da sociedade. Além disso, como afirma Medellín, as comunidades de base são “o primeiro e fundamental núcleo eclesial, célula inicial da estrutura eclesial e foco de evangelização e, atualmente, fator primordial da promoção humana” (Md 15).
     Com as grandes mudanças que estão acontecendo no mundo inteiro e em nosso país, as CEBs enfrentam hoje novos desafios: numa sociedade globalizada e urbanizada, como viver em comunidade? Como transmitir às novas gerações as experiências e valores das gerações anteriores, inclusive a fé e o modo de vivê-la? Só uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma Fé será capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contemporânea.
     Diante das conseqüências da globalização, é preciso valorizar as experiências de sociabilidade básica..o cultivo da reciprocidade tem como espaço primeiro aquele onde a vizinhança territorial é importante para a vida cotidiana, como em áreas rurais, bairros de periferia e favelas. Não por acaso, esses espaços periféricos favorecem o desenvolvimento de associações de vizinhança e movimentos que reivindicam melhorias de equipamento urbano, bem como das próprias CEBs. São as relações de reciprocidade que, promovendo a solidariedade que é a força dos pobres e pequenos, permite que se diga que "gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias".
     No tocante à espiritualidade e vivência eucarística das Comunidades a Mensagem reafirma que “a renovação pastoral deve se fazer a partir da renovação da vida comunitária e que a comunidade deve se tornar instrumento de evangelização” (CNBB 25,11). É a comunhão que faz a Igreja ser “comunidade de fiéis”. A comunhão e a comunidade devem estar presentes em todas as manifestações humanas e em todas as concretizações eclesiais. Por isso mesmo, a Eucaristia está no centro da vida de nossas comunidades de base. É o sacramento que expressa comunhão e participação de todos e todas, como numa grande família, ao redor da Mesa do Pai. A Bíblia faz parte do dia-a-dia da comunidade, estando presente nos grupos e pastorais, nas liturgias e na formação, na reza e nas ações que visam superar as desigualdades e injustiças da sociedade brasileira. São espaços privilegiados de leitura bíblica nas CEBs os círculos bíblicos e grupos de reflexão. Neles o povo se coloca como sujeito eclesial, assume seu lugar na comunidade e na sociedade. O protagonismo dos leigos nas CEBs é expressão viva de uma Igreja que se renova animada pelo Espírito Santo, é também um sinal de que no discipulado estão surgindo novos ministérios e serviços.
     A Mensagem reforça ainda a solidariedade e serviço nas CEBs e a formação de rede de comunidades e dos discípulos missionários que contribuem para “formar cristãos comprometidos com sua fé; discípulos e missionários do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros” (DAp 178). Quanto à dimensão sociopolítica da evangelização, a ação pela justiça e a participação na transformação do mundo aparecem claramente como uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho, isto é, da missão da Igreja pela redenção do gênero humano e a libertação de toda situação de opressão.
 “Ao concluir estas reflexões, desejamos agradecer a Deus pelo dom que as CEBs são para a vida da Igreja no Brasil, pela união existente entre os nossos irmãos e seus pastores, e pela esperança de que este novo modo de ser Igreja vá se tornando sempre mais fermento de renovação em nossa sociedade”. (Doc 25,94)
Fonte: http://www.arquidiocese.com.br
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