A Arquidiocese de Porto Velho, que neste ano completa 84 anos de criação, realiza nos dias 6 a 8 de novembro no OSEM, sua XVIII Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, num processo participativo que envolve todo o clero, religiosos e lideranças leigas das paróquias e comunidades, pastorais e diversos ministérios, representantes de conselhos, movimentos, serviços e organismos de serviço, sob a presidência do bispo com a finalidade de incentivar e impulsionar a vida missionária e pastoral em todos os seus níveis.
É um momento de ação de graças e de celebração, pois toda Assembléia é sempre uma celebração da comunhão e da missionariedade permanente da Igreja de Jesus Cristo. É experiência de fraternidade e meio de enriquecimento mútuo;dá espaço à participação das forças vivas da Igreja, aumenta a conscientização, descentraliza a ação pastoral e evangelizadora, concretizando a co-responsabilidade e a subsidiariedade, além de abrir novos caminhos.
Temos muito a agradecer, quando avaliamos nossa caminhada eclesial. O 12º. Intereclesial das CEBs, realizado de 21 a 25 de julho, aqui em Porto Velho, foi sem dúvida, a manifestação da graça de Deus de modo luminoso na vida de nossa Igreja. A Assembléia é também um momento decisivo no processo participativo que estamos desenvolvendo, por isso, além de revisar, vamos juntos reprojetar a organização pastoral e buscar definições para a missão evangelizadora da Arquidiocese em vista da construção do Reino.
As Diretrizes Arquidiocesanas da Ação evangelizadora para 2009 a 2011 expressam o objetivo que assumimos e a missão da Igreja de Porto Velho: “Evangelizar, a partir do encontro com Jesus Cristo, como discípulos missionários, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, inculturando-se no meio urbano, rural, ribeirinho e dos povos da floresta, preservando a criação, promovendo a dignidade da pessoa, renovando a comunidade, participando da construção de uma sociedade justa e solidária, “para que todos tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). O Documento de Aparecida acentua a necessidade da renovação eclesial; por isso, atentos às necessidades e desafios próprios da região, particularmente do Estado de Rondônia, vamos fazer uma análise da realidade que nos interpela para melhor podermos responder às exigências do mundo atual e assumir as prioridades, renovando os compromissos do 12º. Intereclesial das CEBs, isto é de uma “Igreja, companheira de caminho” (DAp 396) e comprometida com a evangelização a partir das Comunidades Eclesiais de Base.
Pe. Agenor Brighenti que já assessorou uma de nossas Assembléias, ao falar dos desafios para a Igreja do século XXI, diz que vivemos um tempo não propriamente de pós-modernidade, mas de re-impostação e de ampliação do projeto civilizacional moderno. Isso impõe à Igreja, em seu ser e em sua missão, não só superar qualquer resquício de cristandade e entrar na modernidade, como fez o Concílio Vaticano II, mas dar um passo adiante dentro da modernidade, situando-se no novo contexto e assumindo os novos desafios oriundos dele.
Os novos desafios, que colocam novas perguntas, impõem igualmente novas respostas. De nada valem as nostalgias restauradoras de um passado sem retorno. É claro que, em se tratando da herança cristã, na busca de novas respostas, impõe-se salvaguardar a autenticidade originária, a experiência fundante. A coragem de renovação é a única garantia de futuro.
Das novas perguntas, postas por um mundo em profundas transformações, impõem-se, pelo menos, três grandes desafios para as instituições em geral, incluída a Igreja. São desafios que se apresentam como tarefas, a serem realizadas de maneira processual. Apresenta-se a necessidade urgente de reprojetar a missão evangelizadora, de refontizar a identidade da Igreja e de renovar a instituição eclesial.
Escrevendo sobre o cristianismo no mundo pós-moderno, o cardeal Martini afirma que para perceber e avaliar as riquezas da Igreja, é necessário passar pela experiência da fé. Seria fácil redigir uma coletânea de lamentações de coisas que não vão bem na nossa Igreja, mas isso significaria adotar uma visão artificial e deprimente, e não olhar com os olhos da fé, que são os olhos do amor. Naturalmente não devemos fechar os olhos aos problemas. Devemos, contudo, buscar antes de tudo, compreender o quadro geral no qual esses se situam.
Se, portanto, consideramos a situação presente da Igreja com os olhos da fé, continua o cardeal Martini, vemos que, primeiro, nunca houve, na história da Igreja, um período tão feliz como o nosso. A nossa Igreja conhece a sua maior difusão geográfica e cultural e se encontra substancialmente unida na fé. Segundo, na história da teologia nunca houve um período tão rico como o atual. Ensinar a fé neste mundo representa nada mais, nada menos que um desafio. Para ser capaz disso é preciso não ser surpreendido pela diversidade; não ter medo do que é diferente ou novo, mas considerá-lo como um dom de Deus. Provar que somos capazes de ouvir coisas muito diferentes daquelas que normalmente pensamos, mas sem julgar imediatamente quem fala; buscar compreender que coisa nos é dito e os argumentos fundamentais apresentados. Os jovens são muito sensíveis para uma atitude de escuta sem julgamentos. Esta atitude dá-lhes coragem de falar que realmente sentem e de começar a distinguir o que realmente é verdadeiro do que o é somente nas aparências. Como diz São Paulo: "Examina tudo com discernimento; conserva o que é verdadeiro; evita toda espécie de mal" (1Ts 5, 21-22). Devemos ser capazes de correr riscos. A fé é o grande risco da vida. "Quem quiser salvar a sua vida, a perderá; mas quem perde a sua vida por minha causa, a encontrará" (Mt 16, 25).
É a fé cristã que nos introduz no seio do mistério pascal, marcado pelo êxodo e pela exigência do “nascer de novo”, em meio à realidade nua e crua de um mundo, cada vez mais dinâmico e pluralista. As identidades, capazes de situarem-se numa relação dialogal com esse mundo, tal como é a missão da Igreja, são aquelas que continuamente se refundem desde a urgência do presente, na fidelidade à experiência originária e na perspectiva do futuro que lhes espera. (A.Brighenti)
Não podemos esquecer nossa experiência de caminhada, nem a tradição de nossa Igreja amazônida, principalmente de Santarém até hoje. A celebração do 12º. Intereclesial confirma que temos que dar um renovado testemunho do Evangelho e “mostrar a capacidade da Igreja de promover e formar discípulos que respondam à vocação recebida” (DAp 14), reafirmando a opção preferencial pelos pobres,“para que todos tenham Vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10)
Os maiores desafios pastorais para uma evangelização missionária encarnada e libertadora na nossa região são de ordem econômica, social, política, geográfica, cultural e religiosa: distâncias geográficas; situação financeira precária; corrupção e dependência política; mobilidade humana; avanço do pentecostalismo, do agronegócio, do narcotrafico e de projetos que não levam em conta a defesa do meio ambiente. Estes desafios que ecoam nos dois regionais: Porto Velho e Ariquemes colocam nossa Igreja em “estado permanente de missão”.