Apelo à verdade – Por Dom Jaime Luiz Coelho Primeiro arcebispo de Maringá - PR
Data: 25/05/2010 - 09:22H
O Levantou-se uma onda de acusações e descrédito contra o Vaticano, o Papa Bento XVI, à Igreja Católica neste momento lastimável e doloroso do escândalo dos sacerdotes pedófilos. Quando a Igreja Católica sofre esta hostilidade, de outro lado levantam-se vozes autorizadas em apoio e adesão à Igreja, ao Papa.

No dia 31 de março passado foi lançado na França, Paris e Lyon – a Filha primogênita da Igreja – por parte de intelectuais franceses, com milhares de assinaturas – gente do povo, da sociedade e pessoas importantes – o “APELO À VERDADE”, solidário com as vítimas dos sacerdotes pedófilos, mas também “solidário com a Igreja Católica, uma solidariedade que contrasta com o clima atual.

Você, Leitor amigo, encontrará no site
www.appelaverite.fr este Apelo. Deu origem ao apelo um pequeno grupo, difícil de ser classificado: escritores, jornalistas, bloggers (entre os quais um humorista, um advogado e um filósofo) que se reuniram para improvisar – na urgência do momento – um gesto cristão diante da propagada campanha de opinião.

Tal campanha, de fato, era extremista: o escândalo dos sacerdotes pedófilos era atroz, mas não justificava este coro dos mais importantes meios de comunicação ocidentais contra o Papa Bento XVI e contra a sua Igreja. Um jornal alemão intitulou: “A queda do catolicismo”; e um jornal americano: “Boicotemos a missa”.

O protesto tinha superado as acusações, revelando uma hostilidade de princípio em relação ao Papa, ou melhor, contra o persistir de uma Igreja Católica no século XXI. Hostilidade que se expressou através da violência desconcertante de artigos e caricaturas, jornais que assumiram um tom de panfleto anti-católico.

A mensagem era insistente: “Se alguns sacerdotes agem mal, é porque são sacerdotes”. Um importante jornal de Paris negou-se a publicar o “Apelo à verdade” porque, declarou o responsável, não concordava com a orientação deste texto.

Lançado o “Apelo à verdade”, os católicos franceses contaram com a adesão de oitenta signatários, que reunia docentes universitários, entre os quais um dos membros mais recentes da “Academie francaise”, deputados, senadores, psicanalistas, sexólogos, empresários, escritores, editores, celebridades do mundo do espetáculo.

Este grupo reúne a direita e a esquerda, consenso que se obtém muito raramente na França. Também ortodoxos, evangélicos e luteranos colocaram-se ao lado dos católicos. Entre os signatários muitos eram de correntes e jornais católicos considerados antagonistas; a sua inédita coabitação é um sinal dos tempos.

Mas o que mostra este sinal? É uma tomada de consciência. Com efeito, a agressão contra o papa é conduzida pelo sistema dos grandes meios de comunicação ocidentais: poder dominante e comercial, que ninguém crê seja movido pela compaixão, e que prossegue contra Bento XVI uma luta iniciada contra João Paulo II nos anos 90.

Tratava-se de combater a Igreja Católica enquanto instituição universal resistente ao “materialismo mercantil”. E esta campanha continua contra o Papa Bento XVI. Firma-se esta campanha no insuficiente conhecimento do catolicismo, partilhado hoje por três quartos da sociedade ocidental.
Os riscos de mal entendidos para a Igreja são grandes. Daí a necessidade de melhor conhecimento da Igreja para mais amá-la. É o que desejaram os signatários do “Apelo à verdade” dos intelectuais franceses, uma vez que, conscientemente reafirmaram a sua “confiança no Magistério da Igreja Católica”.
 
Dom Jaime Luiz Coelho é o primeiro bispo e arcebispo de Maringá
Fonte: L’Osservatore Romano nº 15, 10 abril – P
Voltar  
 
o que é como rezar.
Links